guia famílias e pessoas aliadas
Ter o apoio da família, de amizades e de outras pessoas próximas pode fazer uma diferença importante na vida de uma pessoa LGBTQIA+.
Nem sempre é necessário ter todas as respostas: escutar, respeitar e demonstrar disponibilidade para aprender já são formas importantes de apoio. Este guia reúne algumas orientações para familiares, amizades e todas as pessoas que querem ser melhores aliadas da comunidade LGBTQIA+.
AMPLOS – Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género
Se és mãe, pai, familiar ou pessoa próxima de alguém LGBTQIA+, recomendamos a consulta da AMPLOS , uma associação dedicada ao apoio, informação e acompanhamento de famílias de pessoas LGBTQIA+.
Escuta sem julgar. Não precisas de perceber tudo imediatamente. O mais importante no primeiro momento é dizer: “Obrigado/a/e por confiares em mim. Estou aqui para ti.”; “Há alguma coisa que gostasses que eu soubesse?”; “Como posso apoiar-te?”.
Não há respostas perfeitas.
O facto de alguém ter partilhado contigo a sua orientação sexual ou identidade de género não significa que queira que outras pessoas saibam. A decisão sobre quando, como e a quem contar pertence à própria pessoa.
Se te enganares, corrige-te de forma simples e segue a conversa. Não é necessário transformar cada engano numa longa desculpa.
Utilizar deliberadamente um nome ou pronome que a pessoa já disse não corresponder à sua identidade não é o mesmo que cometer um erro ocasional.
É possível que precises de tempo para aprender ou reorganizar expectativas. Procura informação e apoio junto de outras pessoas adultas ou organizações, evitando fazer da pessoa LGBTQIA+ responsável por gerir os teus medos ou emoções.
Orientação sexual: Refere-se, de forma geral, à atração afetiva e/ou sexual.
Identidade de género: Refere-se à forma como uma pessoa experiencia e identifica o seu género.
Expressão de género: Refere-se à forma como uma pessoa expressa socialmente o seu género.
Características sexuais: Características corporais relacionadas com sexo, incluindo características cromossómicas, hormonais, anatómicas, etc.
Não, não é uma escolha.
Também não é uma fase. Não existe fundamento para presumir que uma orientação sexual ou identidade de género seja simplesmente uma fase.
Apoiar uma pessoa LGBTQIA+ implica também procurar tratar as suas relações afetivas com o mesmo respeito atribuído às relações das restantes pessoas da família.
O apoio da família pode ter um impacto muito importante no bem-estar de uma pessoa jovem LGBTQIA+. Criar um ambiente onde possa falar sem medo, respeitar a sua identidade e não minimizar aquilo que sente são formas simples, mas fundamentais, de apoio.
Se uma pessoa próxima estiver a sofrer bullying ou discriminação na escola, escuta o que aconteceu, leva a situação a sério e ajuda a procurar apoio. Sempre que possível, guarda registos, mensagens ou outras provas e procura os canais adequados junto da escola ou de outras entidades competentes.
Ser uma Pessoa Aliada é mais do que apoiar alguém em privado. Significa também não normalizar comentários discriminatórios, corrigir informação falsa, respeitar identidades mesmo quando a pessoa não está presente e continuar disponível para aprender e rever atitudes.
Tentar mudar a orientação sexual ou identidade de género de alguém, pressionar a pessoa para esconder quem é, ridicularizar, ameaçar ou divulgar a sua identidade sem consentimento são atitudes que podem causar sofrimento e quebrar relações de confiança.
Querer proteger alguém da discriminação é compreensível, mas pedir-lhe que esconda quem é não elimina o preconceito. O apoio da família e das pessoas próximas pode ser uma das principais fontes de segurança quando a pessoa enfrenta discriminação no exterior.
Não. A orientação sexual e a identidade de género são características intrínsecas de cada pessoa, não o resultado de escolhas educativas, traumas ou influências externas.
